Minha
mãe sempre implicava comigo sobre o fato de não arrumar pelo menos
o cabelo. Mas eu nem dava a minina para isto. Afinal, não tinha nem
primas da minha idade para brincar, o que me levava a me divertir com
dois primos de carrinho, pular muro, jogar videogame e futebol.
Na
primeira série do ensino fundamental I, a professora sempre passava
desenho livre para a turma, onde cada um de seus alunos desenhavam o
que mais gostavam. A maioria das crianças tem o costume de desenhar
casinha, mas eu descobrir algo novo, observar coisas que eu gostava e
desenhar. O que eu mais gostava era de um desenho animado chamado
''piu-piu e frajola''. Eu era apaixonada por tudo que era do piu-piu.
Tinha bolsa, estojo, lapis, camiseta, apontador, caderno, tudo deste
personagem animado.
Em
uma aula de artes, a professora deixou como matéria para casa, o
tema desenho livre. Cheguei em casa, fui para o cantinho da sala de
estar, peguei meu caderno de brochura com a capa do piu piu, e
observando comecei a desenhar. E lá estava meu primeiro desenho,
para mim, perfeito, do piu-piu. E assim foi outras aulas, desenhando
o piu-piu, cada vez de uma forma diferente, observando sempre algo
que tinha deste personagem, ficando cada vez melhor meu olhar em
desenho de observação.
Depois
dessa época, já cursando o ensino fundamental II no colégio,
vestia o uniforme e cuidava dos meus cabelos. Dentro deste período,
aos meus 13 anos, comecei a frequentar uma igreja perto de casa. Foi
a partir deste acontecimento que comecei a me preocupar com o que
vestia.
Na
oitava série do ensino fundamental II, já pensava na faculdade, na
minha carreira profissional. Eu amava desenhar, assim como ainda amo.
Eu não queria parar de desenhar por causa da minha escolha na
carreira profissional. Tive uma ideia. Desenhar carros, móveis,
roupas, plantas de casas e mostrar para meus amigos em sala de aula e
questioná-los sobre meus desenhos. Uma profissão sairia dali.
Arquitetura, moda, designer de algo eu queria ser.
Minha
avó, na época, líder de produção de uma fabrica de roupas
feminina comentou com minha mãe sobre uma instituição chamada
SENAI. Esta instituição de ensino oferecia cursos de moda para
jovens de 15 a 20 anos para o curso de costureiro polivalente. Vi ali
uma oportunidade, moda. Eu adorava costurar, a mão, roupas para as
minhas bonequinhas.
Fiz
a prova para o processo seletivo, fui convocada para a vaga e comecei
a estagiar na empresa onde minha avó trabalhava.
Ao
concluir o curso e o estagio, cursei desenho de moda e ficha técnica
em turmas do SENAI de formação rápida ( 2 meses). E sem perder
tempo, aos meus 17, fiz o processo seletivo para Técnico em
vestuário, também no SENAI. Lá aprendi, em dois anos muitas coisas
sobre a area da confecção.
E
foi assim que me encontrei com a moda. Hoje, sou formada em Técnico
em Vestuário e aluna da faculdade Carlos Drummond de Andrade,
cursando ensino superior em Design de Moda.
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